Página Inicial
 

USO DAS TECNOLOGIAS NO ENSINO DA MATEMÁTICA Enviar por e-mail  Imprimir esta notícia Receber por RSS
13/12/2016 10:44:03



Sílvia Regina Albarello[1]

                                      

Muito se tem dito, escrito e ouvido em relação à informática na escola, sua inserção na sala de aula e na educação no geral. Mas o que se pode perceber é que há pouco consenso entre autores que abordam o assunto e educadores quanto ao valor do uso da tecnologia e todos os benefícios que ela poderá trazer á educação.

Apesar de inúmeras pesquisas sobre como a tecnologia pode ser abordada no processo de ensino-aprendizagem, observa-se ainda que a utilização é muito pequena e, de certa forma rejeitada na maioria das áreas de ensino, em especial, no ensino da matemática.

Muitas vezes o ensino das ciências e matemáticas é visto como um problema, pois são apresentadas aos educandos de forma desinteressante, e muitas vezes consideradas pelos mesmos até inútil.

Acredita-se que as tecnologias da informática vão causar uma revolução na educação em especial no ensino da matemática, o que podemos constatar não esta acontecendo, uma vez que as chances que ocorra uma mudança apenas por possuir computadores na escola é praticamente nula. O que precisa ser pensado e entendido de fato é como vão ser utilizadas essas maquinas.

 

“O prioritário é reconhecer que os recursos tecnológicos digitais não são só redimensionam as condições de acesso às fontes de informação, como também ampliam as situações de aprendizagem, o que significa multiplicar as condições potenciais de acesso à educação escolar”. (Pais. 2002, p21)

           

O ensino de componentes considerados primordiais na maioria das instituições de ensino com a matemática, ou outro componente curricular não deve ficar esquecido diante do uso de um programa educativo, somente porque é divertido. É preciso lembrar que o principal objetivo não é aprender a manusear a maquina, mas sim, a aprender os conteúdos propostos de uma forma diferente e divertida.

A incorporação e utilização do uso de toda tecnologia existente é muito importante no ensino da matemática, pois assim a mesma se torna uma ciência atual, deixando para trás muitos fatos e conceitos incontestáveis, como um conhecimento congelado ao longo de séculos e permitindo ao educandos uma ampla construção do conhecimento e até reelaborar conceitos através de sua criatividade, curiosidade e de suas próprias dinâmicas de aprendizagem.

 

“A condução da pratica pedagógica requer do educador a disponibilidade de um espírito de vigilância permanente para superar dificuldades que surge em situações vivenciadas pelos alunos e por ele mesmo. A inserção do uso do computador na educação escolar, além de trazer benefícios específicos traz também dificuldades a serem superadas por todos aqueles que pretendem continuar no exercício da cidadania”. (Pais. 2002, p43).

 

            É importante ressaltar que para ter uma educação voltada às tecnologias, não basta laboratórios equipados ou maquinas que ofereçam ao aluno plena condição de aprendizado, mas educadores dispostos a superar todas as dificuldades que surgirão. A formação dos cursos de licenciatura, requer atualização. Um aspecto muito importante na formação se refere ao preparo adequado do professor, para que o mesmo possa utilizar esses recursos de tecnologia voltados ao ensino-aprendizagem.

            A presença do computador no ensino da matemática requer das instituições de ensino e do educador novas posturas frente ao processo de ensino-aprendizagem, por isso é importante refletir sobre as mudanças educacionais provocadas pelas tecnologias, e propor novas praticas docentes e experiências significativas para a aprendizagem do aluno.

            É necessário que sejam criados novos processos e métodos de trabalho pedagógico, investindo nas tecnologias de informação e comunicação e adequando-se de acordo com as necessidades de cada educando em sua busca permanente e continuada do conhecimento.

            Segundo Borba e Penteado (2003, p39), “...as diferentes mídias, como oralidade, a escrita e informática, condicionam o tipo de conhecimento que é produzido, por exemplo, em uma sala de aula de matemática ou de um curso de Biologia.”

            Toda essa inserção da tecnologia na educação é vista como uma revolução que ocorreu com os alunos que cresceram num ambiente que é considerado de risco. De certa forma, se não houver um direcionamento para este tipo de ensino, o mesmo pode se tornar perigoso. É preciso que haja uma classificação das informações obtidas, e a forma mais adequada de como utilizá-las na construção de conhecimento.

            O professor desempenha seu papel na forma de mediador nesse processo de interação tecnologia/aprendizagem, buscando desafios que motivem seus alunos a aprender e a crescer com visões e expectativas de mundo diferentes das gerações anteriores. Para tanto é imprescindível ressaltar que a tecnologia está presente no dia-a-dia e com isso percebe-se que não é mais possível estudar sem que haja um mínimo dela presente onde quer que as pessoas estejam. É importante enfatizar que a tecnologia informática implica direta ou indireta não só na educação, mas em toda sociedade, tornando-se útil de diversas formas. ”Não é usar regra que resolve o problema; é pensar sobre o problema que promove a aprendizagem”. (Parpet, 2002, p81)

            As tecnologias trazem consigo novas exigências que competem diretamente à educação aluno/professor, impondo adaptações a ambas numa forma de troca de conhecimento. Assim, o aluno não tem mais aquela visão de que o professor é detentor de todo o conhecimento e sim de que ele possui apenas um conhecimento maior que o dele, mas que ambas são importantes e através de uma troca de conhecimento é possível tanto o crescimento do aluno quanto do professor. No entanto para que isso seja possível é preciso que haja uma boa interação aluno/professor, do contrario o aluno não conseguirá assimilar o conteúdo dado pelo professor o que muitas vezes pode causar falta de interesse pela aula e desmotivação aos estudos.

O ensino aprendizagem através do computar não é diferente do ensino normal, o aluno deve estar motivado a aprender e é importante que o professor siga as instruções programadas inicialmente, apresentando o conteúdo que será estudado e ensinado ao mesmo de formas seqüenciais, ou seja, que tenha um segmento. Portanto, cabe ao professor o papel de mediador do ensino, intervindo nas atividades dos alunos, incentivando-os e provocando-os de forma que os mesmos se sintam motivados a aprender de fato. Pois “... a informática não irá terminar com a escrita ou com a oralidade, nem que a simulação acabara com a demonstração em matemática. É bem provável que haverá transformações ou reorganização”. (Borba e Penteado. 2003 p49).

            Com o avanço das tecnologias esse processo de transformação por que passam todas as áreas de ensino em especial o ensino da matemática é considerado normal apenas por uma parte dos educadores. Tudo isso causa insegurança em boa parte deles que num primeiro momento temem sua substituição pelas maquinas e programas capazes de cumprir o papel que antes era reservado ao ser humano. Entretanto, isso é um processo normal que acontece com a introdução de qualquer tecnologia na sociedade porque isso causa preocupação nos educadores acostumados, a atuar numa “zona de conforto”, onde eles têm o domínio da situação, sabem como agir e assim tendo de entrar numa chamada “zona de risco”, onde eles não têm domínios do assunto, tendo então que ir em busca de um aprimoramento em sua formação para que possam prosseguir.

            A partir da convivência com os desafios e outros fatores que interferem no processo ensino/aprendizagem há uma busca conjunta de todas as partes envolvidas a uma forma de readaptar o ensino à modernidade, sem que isso afete o seu processo natural. Tratando de modernidade surge a possibilidade de trabalhar com o computador. Esse instrumento abre novas perspectivas para profissão docente, pois de um ponto de vista ele pode ser um problema ou também desencadear o surgimento de novas possibilidades para seu desenvolvimento como profissional da educação.

 

“Apesar de muitos exemplos desse excelente trabalho, o isolamento da presença do computador deve ser visto como um tipo de “resposta imunológica” da escola a um corpo estranho: quer ou não os participantes estivessem conscientes de que isso é o que eles estavam fazendo, esta claro que a lógica do processo era colocar a coisa intrusiva de volta em alinhamento com os hábitos da escola”. (Parpet, 2002, p53).

 

Muitas vezes todas essas mudanças causam uma reviravolta que o muda o foco do ensino sem que haja uma declaração teórica-pedagógica à escola em si. A reação adversa ao uso das tecnologias muitas vezes não é nem de ordem pedagógica, mas por conta da falta de um equipamento adequado. Se a escol não tem carteiras, giz, merenda, os professores ganham uma miséria, como é possível para a escola falar em computador? Por outro lado, se a escola não se adequar a esse novo sistema de ensino, o mais provável é que a escol oferecerá um ensino do século XVIII enquanto os alunos vivem no século XXI.

Entretanto, numa sociedade pobre, onde não há sequer, boas condições na escola ou do próprio aluno para comprar um livro, falar em computado torna-se ainda mais difícil, já que olhando do ponto de vista sócio econômico nem todos os alunos terão condições de acompanhar o ritmo da tecnologia colocada a disposição.

No entanto, isso é um direito garantido aos alunos e graças à criação de vários programas de implantação da informática criados através dos programas governamentais, hoje praticamente todas as escolas podem contar com no mínimo um computador para auxiliá-los em suas tarefas. Cada vez mais o computador vem fazendo parte do dia-a-dia das escolas e com isso, torna-se praticamente impossível ensinar sem que esteja presente um mínimo de tecnologia, seja ela uma simples calculadora ou equipado laboratório de informática.

“Certamente, não podemos esperar a existência de teorias educacionais que possam ter uma procedência absoluta em relação às práticas educativas nesse aspecto envolvendo o uso da informática”. (Pais, 2002, p86).

Com a existência de diferentes modalidades do uso do computador na educação, o objetivo da mesma torna-se atender diferentes interesses educacionais e econômicos, utilizando-se de estratégicas e ensino que se constituem em aluas práticas em que os alunos são incentivados a utilizarem a tecnologia da informática para realizar várias atividades permitindo assim o seu desenvolvimento de auto formatação, aumentando a autonomia através do princípio investigativo.

É errôneo pensar que uma vez o computador presente na escola por si só ele trará mudanças à educação, é preciso que haja uma preparação de ambas as partes, tanto do educador quanto do educando. Se isso for feito, o computador poderá ser um importante aliado no processo educativo, caso contrario não deve-se  esperar muito dessa tecnologia, pois ela ainda não é capaz de fazer milagres, visto que o próprio computador, mesmo conectado a uma rede de informação, por si só não oferece garantias para ampliação do conhecimento.

 

[1] Graduada em Matemática pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI e Pós-Graduada em Matemática e Física pela CELLER Faculdades.  Atualmente atua como professora na Rede Municipal de Ensino.


Fonte: Sec. Mun. de Educação

USO DAS TECNOLOGIAS NO ENSINO DA MATEMÁTICA - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização.

 AO VIVO - As principais notícias da sua cidade
 08/04/19 - Escola João Raimundi Promove palestra de Educação Fiscal
 29/03/19 - Profissionais do Município participam de Seminário de Educação Fiscal e NFG
 19/10/18 - Colegiado Deliberativo do RPPS de Cerro Grande Aprova Política de Investimentos para o Ano de 2019.
 30/11/17 - PROFESSORA SANDRA MIGLIORINI PUBLICA ARTIGO
 30/11/17 - INSERÇÃO DA MULHER MERCADO DE TRABALHO
 ARQUIVO - Acesse todas as notícias